quarta-feira, 24 de outubro de 2012

0 INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL EM CANÁRIOS: AVANÇOS TÉCNICOS

Afonso Babra Garcia – Espanha
Revista Pássaros – Ano 6 – Nro 29
Há alguns anos publiquei um trabalho sobre o mesmo tema, baseando-me em provas experimentais efetuadas no meu aviário e em informações recebidas sobre a mesma prática realizada habitualmente com uma alta taxa de êxito pelos japoneses de Osaka, em importantes instalações habilitadas a reproduções e criação “industrializada” de canários, a maioria dos quais eram exportados para os Estados Unidos.
Naquela ocasião os resultados foram muito pobres e, inclusive, não consegui a diluição do líquido seminal, pelo que foi uma mera prova de que com escassos meios era possível a inseminação artificial em pássaros de gaiola. Como nesta temporada de reprodução eu tentei e consegui a inseminação com dois lotes de três fêmeas cada um, com sêmem já diluído e que não perdeu seu poder fertilizante, eu passo a divulgar este tema que, embora não sendo ainda uma prática importante na ornitologia amadora, aponta para um futuro não muito distante possibilidades práticas e positivas.
Diz o Dr. Sanchez Algaba que “dentro do campo da reprodução animal, um dos temas que cobram dia-a-dia maior importância e difusão e, sem sombra de dúvida, a inseminação artificial, pois sendo uma ciência relativamente jovem, se tem estendido por todos os países do mundo devido às vantagens que representa, desde três planos fundamentais: Econômico, Sanitário e Genético”.
Penso que usando de uma terminologia muito concreta, a Inseminação Artificial nos Pássaros, não é outra coisa que uma manobra consistente na obtenção, diluição e introdução de líquido seminal no aparelho genital da fêmea, mediante o emprego de instrumentos e técnicas não naturais, que envolvem uma série de manipulações relativamente complexas que vão desde o recolhimento do sêmem até sua aplicação no interior da cloaca da fêmea.
Entre as vantagens de Inseminação Artificial em uma utópica ornitologia de futuro, cabe destacar as seguintes:
1-Eliminar grande número de doenças infecciosas, que se transmitem no ato do acasalamento.
2-Evitar a necessidade de alojar, cuidar e alimentar um elevado número de machos, possuindo em seu lugar um número superior de fêmeas.
3-Permitir a fecundação de fêmeas, separadas por distâncias relativamente apreciáveis. Com sêmem capaz de melhorar ou introduzir novos caracteres nas linhagens de criação.
4-Usar sêmem de machos de Raças e Variedades de Pássaros dos que exista, um limitado número de exemplares. 
MATERIAL E MÉTODOS  
É evidente que para conseguir êxito na prática da inseminação artificial em pássaros, é imprescindível possuir a garantia absoluta de que o macho do qual se vai extrair o sêmem é fértil, que não é portador de doença infecciosa, que não transmita malformações congênitas, nem transtornos no comportamento animal.
Necessariamente deve usar-se como sujeito “doadores” machos adultos com no mínimo dois anos de vida, que tenham demonstrado em ciclos anteriores de reprodução natural sua capacidade fecundante e uma descendência sanitariamente correta sem taras físicas.
A fertilidade de um pássaro, com a de outro qualquer animal, esta motivada por uma cadeia de influências ambientais, sanitárias, alimentares, de manejo etc. E a qualidade do sêmem por contagem de espermatozóides sofre influência do repouso ou atividade sexual a que se tem submetido o macho. A capacidade fertilizante do sêmem está motivada em função da morfologia, quantidade e mobilidade dos espermatozóides. 
COLHEITA DO SÊMEM  
Esta manobra requer ser efetuada por duas pessoas, devido a sua relativa complexidade, já que consideramos esta operação como um ponto primordial dentro do processo geral da Inseminação Artificial. Se utilizará um macho excitado sexualmente, colocado em uma gaiola isolado, desde que possa observar a presença próxima da fêmea em cio. Com a máxima higiene possível, para evitar qualquer risco de contaminação seminal, colocasse o macho em posição decúbito supino, o que permitirá estimular-lhe mediante a ação de uma suave massagem digital debaixo do ventre chegando até o órgão copulador, atuando sempre no sentido único na direção do esterno para a cloaca.
Quando se observar que a ejaculação está próxima, se empurra a cauda para adiante conseguir a emissão do sêmem, que aparece como uma pequena gota de líquido algo gelatinoso.
Recolhe-se rapidamente com um pequeno tubo de vidro ou um porta objetos de microscópio que esse tem em total estado de esterilização.
Este mecanismo é complicado e laborioso, recomenda-se que o macho tenha sido previamente habituado a estar imobilizado na mão e ao contato digital no ventre já que em caso contrário torna-se muito difícil conseguir a ejaculação. 
DILUIÇÃO E DURAÇÃO DO SÊMEM  
Aparece então a dificuldade da manipulação da pequena quantidade de sêmem obtido, já que se deve atuar com rapidez,
As soluções salina não são apropriadas para sua diluição e conservação. Os melhores resultados se obtêm com soluções de açúcares simples como a glicose, a frutose e o manitol, dissolvidos a 5% usando com o veículo água previamente fervida e mantida a 4 graus centígrados; com isto temos conseguido:
a)Aumentar a quantidade do líquido fertilizante a 1 cc;
b)Chegar a manter seu poder fertilizante;
c)Controlar e diminuir a viscosidade dos sêmem, facilitando a penetração dos espermatozóides no ovíduto.
Estamos convencidos de que contando com os meios de um Laboratório ou Centro especializados, há de ser possível congelar e manter adequadamente o sêmem de pássaros, como se faz atualmente com o de aves domésticas de uso alimentar humano, já que se congela a temperaturas de menos 35 graus centígrados para armazena-los e transporta-los posteriormente em nitrogênio líquido a menos 196 graus centígrados.
MANOBRA DA INSEMINAÇÃO  
É uma prática que requer normalmente a intervenção de duas pessoas, uma que atua mantendo a fêmea em posição de decúbito supino, isto é, com o ventre para cima. Só se deve manipular fêmea em cio com dilatação abdominal, que se chegue a presumir a postura de ovos em um prazo aproximado de 5 a 10 dias depois da inseminação.
A manobra a realizar consiste em efetuar uma suave pressão digital no baixo ventre na zona próxima à cloaca, com o que se consegue um prolapso parcial desta, momento em que, com uma pipeta de 0,1 cc, se insere uma quantidade aproximada de 0,02 ml ou mais da diluição seminal. Em seguida se suprime a pressão da região citada, com o que a cloaca se fecha e volta a posição normal, momento em que se coloca a fêmea na gaiola de criação.
Para realização destas práticas, sem dispor de meios sofisticados, temos empregado fêmeas jovens que já tenham efetuado a primeira postura e fêmeas adultas de dois anos de vida; os resultados são parecidos com ambos lotes.
CONCLUSÃO  
Atuando de forma rudimentar que acabamos de descrever temos conseguido inseminar dois lotes de três fêmeas de canário, com o sêmem de uma só ejaculação, obtendo uma média de 2 a 3 ovos fecundados na maioria das fêmeas, com um resultado negativo reiterado com uma mesma fêmea em três ocasiões. As fêmeas tem construído seus ninhos normalmente, tem realizado postura de 4 a 5 ovos, tem incubado perfeitamente, os embriões eclodem e os filhotes tem sido alimentados e desenvolvem-se com toda normalidade.
Não temos conseguido a ejaculação, apesar de reiteradas tentativas, com um macho de Pintassilgo da Venezuela, o que atribuímos à sua resistência em permanecer seguro pela mão.
É portanto possível à realização da inseminação artificial em pássaros de gaiola, se bem que consideramos uma utopia para o momento a implantação deste método em criadouros amadores.
Deve ser positivo se realizada em instalações “ industrializadas” como as que temos referências que existem no Japão, confirmação que tentaremos realizar através da AIO-AMICALE INTERNATIONALE ORNITHOLOGIQUE, mediante a colaboração do nosso colega nesse país.
Por tudo isto nos atrevemos a postular de que em um futuro não muito distante, se possa e se empregue o plasma germinal de pássaros, inclusive com fins ecológicos em espécies em vias de extinção ou para facilitar a difusão de Mutações, especialmente as de herança ligada ao sexo.
DICA:
Em julho, antes do acasalamento, pulverize todos os pássaros, gaiolas, utensílios, paredes e frestas com a solução Kill Red, 20 gramas por 6 litros de água, após 15 dias repetir a dose.
BIBLIOGRAFIA Dr. Pedro Sanchez Algabra Gil – Veterinário – Tesis Doctoral – publicada por C.S.I.C e outras observações manuscritas especialmente para o autor.
MERCK Sharp & Dhone Intercontinental – New Jersey USA.
  
Agradecimentos ao site criadouro Kakapo.

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