sexta-feira, 19 de outubro de 2012

0 CRIAÇÃO DE CANÁRIOS Á ITALIANA

Scurati Roberto
Revista Pássaros 38
Arquivo editado em 30/08/2007
A Itália tem condiçőes climáticas diferentes das condiçőes do Brasil, tendo períodos de reproduçăo e técnicas de criaçăo diferentes das usadas no Brasil.
Eu faço o seguinte: inicio a reproduçăo no męs de fevereiro. É importante fazer os canários sentirem o inverno com a temperatura a 10°C. Necessita-se de luz no criadouro, por isso mantenho 8 horas de luz ao dia năo mais (se necessário fecho a janela). Tenho um programador de luz automático que simula a nascente ŕs 8 horas da manhă e o poente ŕs 16 horas.
Quarenta dias antes do inicio da postura, prolongo o dia meia hora por semana e aumento a temperatura ŕ 16°C. Quando o dia chega a ter 13 horas a temperatura é de 18°C. Inicio o acasalamento, pondo o macho na gaiola, (que alguns meses atrás esteve isolado das fęmeas). Em seguida coloco a fęmea que fica separa pela grade. Quando o ninho fica pronto, retiro a grade para o acasalamento.
Para favorecer a fecundaçăo, costumo cortar as penas ao redor da cloaca do macho e na fęmea. Para melhorar a reproduçăo, dou por 10 dias consecutivos um antibiótico (tetraciclina ou furozolidona ou spiramicina), quando do uso esses antibióticos na água (uso bebedouro escuro), dou também aminoácidos por uma semana na farinhada.
Uso nistatina como antimicotico por 10 dias. Quando ocorre o nascimento dos primeiros filhotes aumento a temperatura para 20°C e o numero de horas do dia para 15. Dou spiramicina (ou algum sul-micoplasma) por 5 a 6 dias.
Durante a choca suspendo a farinhada até o nascimento. Quando nasce os filhotes volto a dar a farinhada 2 a 3 vezes ao dia e duas vezes por semana agrego carvăo vegetal para favorecer a absorçăo da farinhada ŕ nível intestinal. Nunca esqueço de dar niger (2 partes), cânhamo (1parte) e trigo (2 partes) cozidos por 25 a 30 minutos; ľ de farinhada e + Ľ desses grăos cozidos na farinhada. Ao anoitecer, trato os filhotes do 1° ao 10° dia com antibiótico e nistatina na papinha. Na Itália, e no Brasil também cada criador adota uma mistura deferente geralmente copiando de outro criador que no ano anterior teve uma boa produçăo.
 
Scurati Roberto – Medico Veterinário
Criador de canarinos de cor
Traduçăo Jose Giordano Penteado
Eng. Agronomo - Zootecnista
Agradecimentos ao site Criadouro Kakapo.

0 A história do canário desde sua descoberta

 
Marlene Mantel
Brasil Ornitologico • n° 56 • Ago - Set - Outi
Arquivo Editado em 22/07/2005

 
As aves sempre fascinaram a humanidade; uma grande prova disso são as inúmeras pinturas e esculturas encontradas nas pirâmides, desde simples adornos corporais a deuses que têm como representação a figura de diferentes pássaros. A história do canário não é tão remota assim, nem há registros que o relacionem com alguma divindade, mas isso não o torna menos especial que essas aves, representantes dos deuses. Sendo um dos mais procurados dentre todos os pássaros domésticos, o canário é estimado por seu canto suave e harmonioso e beleza de suas cores - e por ser um animal de estimação muito dócil, fácil e barato de cuidar, que faz pouca sujeira e ocupa quase nenhum espaço. A partir desta edição, a revista Brasil Ornitológico trará mais informações, para os iniciantes na canaricultura, sobre esse pássaro que, com seu canto, cativou até a Rainha Elizabeth, que reinou na Inglaterra, na segunda metade do século XVI. Qual a origem desses pequenos pássaros de canto harmonioso? As primeiras notícias sobre a existência do canário ocorreram após a ocupação das Ilhas Canárias pelo navegador João Bethencourt, em 1402. Esse arquipélago, pertencente à Espanha desde o século XV, localizado a pouco mais de cem quilômetros da Costa da África, quase em frente ao deserto do Saara, trata-se de uma região coberta por vegetação e fauna quase inexistentes em outras partes do mundo, onde poucos mamíferos, répteis e batráquios habitavam. E teria sido o habitat original dessa ave, balizada cientificamente com o nome de Serinus canarius e classificada pêlos naturalistas como pertencente à família dos Fringilídeos, no grupo dos Passeriformes. Ícones avium omnium, escrita pelo naturalista suíço, Conrad Gessner, em 1550, foi a primeira obra sobre o canário. Mas a descrição mais completa, desse habitante quase solitário das ilhas que lhe deram o nome, é dada por Ulisses Aldobrandi, em 1559. Diz que o canário silvestre é um pássaro de pequeno porte, não excedendo de doze centímetros. Nidifica em pequenos arbustos. É de cor atraente, de um verde amarelado um pouco acinzentado, com tons escuros nas asas. O dorso com raias pretas, o uropígio é de um verde amarelado, o mesmo ocorrendo com o peito; e esse tom vai se esmaecendo à medida que atinge o ventre. Bicos e pés escuros. Canto alto e sonoro'. Este seria o canário silvestre, habitante natural das Ilhas Canárias, origem de todas as raças atualmente existentes.
A difusão do canário pelo mundo
Há muitas contradições e desencontros de datas na história do canário. Mas alguns historiadores afirmam que a criação em cativeiro teve início há mais de quinhentos anos, pêlos espanhóis que ocuparam as Ilhas Canárias. A partir daí, os espanhóis mantiveram o monopólio do canário, por muito tempo, exportando apenas exemplares machos para evitar a concorrência estrangeira. Porém, como tudo tem um fim, este monopólio também o teve, quando um vapor carregado de canários naufragou perto da ilha de Elba, de acordo com o relato de Olinda, em 1622. Segundo o autor, em seu livro Ulcelleria, publicado em Roma, o naufrágio do navio nessa ilha foi o responsável pelo aparecimento dos pássaros na Itália e posteriormente na Alemanha. Os canários teriam encontrado na Ilha de Elba condições   favoráveis   para   seu desenvolvimento e puderam se reproduzir em grande quantidade, passando a viver em bandos. Um fato que merece destaque é que os canários jamais emigraram para o continente, pois eles encontraram nas ilhas, o alimento preferido e o clima (temperado) favorável ao seu canto. Sobre a veracidade desta narrativa, no que diz respeito à reprodução com outras espécies daquela ilha, pesam sérias dúvidas de ordem científica. Parece que o mais certo é se admitir que naquelas exportações tinham também fêmeas, uma vez que é fácil de se confundirem os sexos. Ou, então, que aquele carregamento não era constituído exclusivamente de exemplares machos. 
Há ainda a hipótese da compra clandestina de fêmeas, como causa do fim do monopólio. Esta situação encontra ressonância no fato comprovado de Walter Raleig, quando de retorno daquelas ilhas à sua pátria, a Inglaterra, ter ofertado, à Rainha Elizabeth, diversos canários. E a soberana, cativada pelo canto daqueles pássaros, determinou que eles fossem criados no seu palácio, onde surgiu o primeiro canário amarelo de que se tem notícia. Este fato fez Shakespeare dizer que 'os olhos da grande Rainha tinham o poder de mudar as coisas em ouro'. Mas não foi somente a Rainha Elizabeth que se apaixonou pêlos canários. Izabel da Inglaterra, uma das mais poderosas e cultas da Europa, dedicou-se, também com carinho e paixão à criação de canários. E até imperadores da Alemanha e sultões do Oriente não conseguiram fugir ao fascínio dos artigos pequenos pássaros de  canto harmonioso. Afirma-se que, naquela época, o sultão da Arábia tinha as salas do seu riquíssimo palácio cheias de gaiolas de canários. Afirma-se também que os italianos e holandeses, atraídos pelo belo e harmonioso canto dos canários espalhados por toda a ilha de Elba, começaram a capturar essas aves e vendê-las ao continente. Mas devido a grande demanda de compradores, se organizaram e iniciaram a criação e exportação desses pássaros para os países do Norte. No final do século XVIII, os canários estavam sendo criados em grande escala na Suíça e no sul da Alemanha e foram espalhados pela Inglaterra, Rússia, Egito, etc. Mas, à medida que o canário se reproduzia em cativeiro, devido à quebra de sua cadeia alimentar original, a base de sementes e frutas nativas e insetos, começou a sofrer mutações na forma, no colorido de sua plumagem, no seu canto, e até em sua estrutura óssea. Há registros de que, em 1700, a Duquesa du Barry, apaixonada criadora de canários, fazia viagens a Flandes a fim de adquirir  exemplares para melhorar o seu grande e já famoso plantei. Naquela época, o encarregado-chefe de sua criação, M. Hervieux de Chateloup, publicou um volume narrando as experiências com a criação de canários, que apresentavam 29  variedades de cores, dentre as quais figuravam o Amarelo, Verde, Ágata Dourado, Isabel Dourado, Junquilha de olhos pretos e claros. A criação de canários começava a empolgar não só amadores, mas também cientistas que passaram a  estudar os aspectos genéticos do pássaro, explorando suas mutações, obtidas em cruzamentos  contínuos, à procura de aperfeiçoamento e fixação de novas raças, variedades de forma, plumagens, cores e canto. A Alemanha foi um dos países que se destacou na criação e aperfeiçoamento do canto e, mais tarde, na cor do canário, com os trabalhos do Dr. H. Duncker. E, à medida que o canário sofria mutações, surgiam também os primeiros grupos de aficionados no  novo   entretenimento, assegurando ainda mais o sucesso   do   desenvolvimento   da canaricultura. Entretanto, o fato mais marcante na história da genética de aves e animais foi o cruzamento do Tarim da Venezuela (Spinnus cucullattus) com canárias. Os híbridos férteis desse cruzamento propiciaram a introdução do fator vermelho no canário, gerando daí centenas de novas cores que encantam freqüentadores de eventos ornitológicos. Atualmente os canários ancestrais não aparecem mais nas gaiolas e sim centenas de mutações com variadas cores, formas e tamanhos.
A chegada do canário e o seu desenvolvimento cm terras brasileiras
Não se sabe ao certo quando os primeiros canários surgiram em terras brasileiras, mas há quem diz que, por volta de 1890, esses pássaros já eram vendidos por marinheiros nos cais dos portos do Brasil. Em 1902 foram  fundadas  duas   sociedades ornitológicas no Brasil, uma no Rio de Janeiro/RJ e outra em Pelotas/RS. Ambas eram chamadas de Sociedade Expositora de Canários e há registros que destacam a de Pelotas como "Premiada com o Grande Prêmio (medalha de ouro) na grande Exposição Nacional de 1908".
No início, a canaricultura no Brasil tinha como destaque os canários de canto e, em seguida,  apareciam os de porte, principalmente os frisados parisienses, expostos, desde a primeira década do século, pela Sociedade Expositora de Canários, no Rio de Janeiro. Nos próximos anos, várias sociedades e clubes ornitológicos foram surgindo, sendo sua maioria concentrada no Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. À medida que essas entidades se organizavam, começaram a aparecer também algumas raças inglesas, na década de 40 e os canários de cor, no início da década de 50.
Alguns eventos da época merecem destaque na história da canaricultura brasileira. Como a primeira grande exposição de canários de canto e de cor, realizada pela UCRB - União de Criadores de Roller do Brasil em 1949. Os pássaros julgados nessa exposição garantiram ao Brasil a participação no 1° Congresso Latino Americano, realizado em Buenos Aires. Nesse congresso o Brasil conquistou dois primeiros lugares; um em canários de Canto Clássico na categoria de filhotes e outro, na Cor avermelhada. Dois anos depois, em 1951,  ainda sob a liderança da UCRB, foi realizado o 2° Congresso Latino Americano, em São Paulo e a evolução da nossa canaricultura era evidente. O Brasil foi Campeão em Canário de Canto e obteve vários primeiros lugares em Canários de Cor. No ano seguinte, no Pavilhão de Vidro do Parque de Água Branca (palco de vários "Brasileiros", inclusive o último da COB — Confederação Ornitológica Brasileira), aconteceu o 1° Concurso Nacional de Canaricultura, do qual participaram sociedades de várias regiões. No dia 12 de agosto, no decorrer desse evento, foi realizado o 1° Campeonato Brasileiro de Canaricultura, no qual decidiu-se fundar uma entidade de âmbito nacional que consagrasse os nossos clubes. Nascia, então, a Federação Brasileira de Canaricultura — FBC, cujo presidente era Jerônimo Rocha. A entidade passaria por vários nomes e estágios até que, em 24 de setembro de 1988, foi denominada Federação Ornitológica do Brasil — FOB, sucessora das outras entidades, tão somente, do ponto de vista histórico. 
Hoje a canaricultura no Brasil conta com aproximadamente 460 variações de cores no segmento denominado Canários de Cor, 26 raças que se dividem em 138 classes para concurso, no segmento de Canários de Porte e ainda os Canários de Canto Clássico.
Anualmente, as 172 associações de canaricultores de todo o Brasil, filiadas à FOB, realizam campeonatos em suas cidades nos meses de maio e junho, dos quais só podem participar os filhotes nascidos no ano anterior, devidamente anilhados. Os campeonatos são nos segmentos de Canários de Cor, Canários de Porte e Canários de Canto. E, apesar de todos os canários machos de todas as raças cantarem perfeitamente a partir de quatro meses de idade, só os canários do segmento Canto Clássico "Roller" é que podem participar do concurso de Canto.
Após os campeonatos regionais, a FOB realiza o Campeonato Brasileiro de Ornitologia que acontece sempre no mês de julho. Este ano, mais de 20 mil pássaros domésticos de criadores de todo o Brasil participaram da 2a etapa do 53° Campeonato Brasileiro de Ornitologia, realizado no período de 2 a 11 de julho, no Parque Permanente de Exposições, em Ribeirão Preto-SP.
                                    Agradecimentos ao site Criadouro Kakapo. 

0 Vitamina E

O princípio ativo que determina a função biológica (Alfa, Beta e Gamma tocoferol) são encontradas no reino vegetal, nas graxas, óleos vegetais, no germe de trigo, etc. Se altera rapidamente perdendo a atividade vitamínica. O componente mais ativo é o alfa-tocoferol que em ambiente quente e em contato com o oxigênio se altera rapidamente. Ao contrário o acetato de alfa-tocoferol quando em contato com o oxigênio se altera mais lentamente.
A vitamina E é um antioxidante natural de ação biológica e protege a graxa e as vitaminas ativas no organismo. A sua ação potencializa as vitaminas lipossolúveis favorecendo a absorção e o acúmulo das mesmas.
Constitui outra coenzima que favorece o sistema antifermentativo que preserva a ação tornando-a econômica sua vitamina.
Em outras palavras é um eficiente regulador de todo sistema endócrino e tem um importante valor hepéticoprotetor. Prolongando a carência de tocoferois determinando na função reprodutiva dos machos em conseqüência da degeneração e atrofia dos testículos e com o afirmamento da parede do conduto seminal, o esperma perderá sua mobilidade tornando-os infecundos. A produção espermática vem com o tempo parando de maneira irreversível, e com doses maciças de vitamina E o resultado será inútil.
Nas fêmeas, o ciclo sexual se desenvolve normalmente quando há uma fecundação normal, mesmo com a carência de vitamina E, botam ovos fecundos mas não nascem.
A carência de vitamina E também acelera a degeneração das funções dos músculos e principalmente dos miocárdio.
A vitamina E é medida pela Unidade Internacional UI, equivalente a 1 mg de tocoferol.

Agradecimentos ao site Criadouro Kakapo.

José Giordano
Revista SOL 2000
Artigo editado em 09/05/2004

 

0 GENÉTICA PARA INICIANTES


           
Eliane Seixas e Gilberto Seixas
Revista UGCC 2006
Artigo editado em 14/12/2006
            A variedade de cores e raças que multiplicam e embelezam nossos canários, atrai, a cada dia, novos adeptos à Canaricultura. Este efeito visual de forma é obtido pelo controle genético que os criadores possuem e empregam ao acasalarem suas matrizes. Aliás, é exatamente este controle genético que aprimora a qualidade técnica das cores e forma, que difere a criação de canários de cor de parte da criação dos chamados canários “belgas” ou “salsas”.
            O conhecimento de genética é indispensável quando se pretende alcançar posição de destaque dentro da Canaricultura.
            Os criadores de canários dominando esta ciência, poderão melhor entender o que acontece em seus  criadouros e optarem, com maior êxito, na seleção de matrizes objetivando avanços na produtividade e principalmente, na elevação do padrão técnico dos pássaros.
            Enfocaremos aqui ciência de uma forma prática, sem nos atermos à complexidade das fórmulas genéticas e às análises mitológicas, que se fariam necessárias para maior aprofundamento no assunto.
Definição
            Genética é o ramo da Biologia que estuda a transmissão das características físicas e biológicas de uma geração para a seguinte, sendo considerada a ciência da hereditariedade.
            Essas características são armazenadas em estruturas especiais denominadas genes.
A Transmissão Genética
            A reprodução dos canários é sexuada, sendo o casal (pai e mãe) responsável pelas características do seu filho.
            É no ato da fecundação do óvulo pelo espermatozóide, que o zigoto se forma e recebe todas as informações dos pais que, em conjunto, definirão o Genótipo e a base do Fenótipo do pássaro a ser formado.
            Conheça o significado de alguns termos utilizados em genética:
ZIGOTO: É a célula formada da união do gameta masculino (espermatozóide) e feminino (óvulo) que dará origem ao novo filhote.
GENÓTIPO: É o conjunto de genes que definem a formação de todas as características do indivíduo. É o seu patrimônio genético.
FENÓTIPO: É a aparência externa do pássaro. O Fenótipo depende dos genes que o pássaro possua em seu genótipo, mas também de uma série de outros elementos como: alimentação, ambiente, luz solar, etc.
As Mutações
            O canário ancestral que ainda vive em seu “habitat” natural nas Ilhas Canárias é semelhante ao Verde Nevado existente hoje em nossos criadouros.
            Foi a beleza de seu canto suave que despertou no Homem o desejo de tentar reproduzi-lo em cativeiro, onde ocorram, aleatoriamente, inúmeras Mutações, isto é, modificações genéticas, que foram percebidas e fixadas pelo homem, acentuando a máxima: criar é preservar.
            Esta fixação no patrimônio genético da espécie, foi obtida através de cruzamentos entre pais e filhos, permitindo as variações belíssimas de cores e raças que hoje existem.
            A mutação ocorre quando existe alteração em um os genes, modificando algumas características esperadas na prole.
            Quando ocorre uma mutação o gene passa a existir de duas formas distintas:
-forma original (características já existentes)
-forma mutante (nova característica)
Exemplo 1:
            De um casal de Verdes nasceram filhotes Verdes e Canelas.
            Observa-se que alguns filhotes possuem a característica esperada, ou seja, a cor Verde.
            Os filhotes Canelas nasceram com características modificada, ou seja, a cor Canela, que, portanto, é uma mutação.
            Algumas informações para cores estão ligadas à informação do sexo que os pais transmitem ao filhote que neste caso, são chamadas de cores sexo-ligadas. Porém, outras estão livres da informação sexual, sendo denominadas não ligadas ao sexo ou autossomais.
As Mutações Sexo-ligadas
            Existem várias mutações de cores que se encontram ligadas à informação sexual, a saber: ágata, canela, isabelino, pastel, acetinado, marfim, asas cinza e inos lipocrômicos (Albinos, Lutinos e Rubinos).
            Atenção: a cor Verde não é mutação; é o fator original oriundo do silvestre, entretanto, também ligado ao sexo.
            Nas mutações sexo-ligadas, quando os exemplares machos possuem certa mutação em seu patrimônio genético, podem se comportar de dois modos distintos:
            1-mostrando a mutação em seu fenótipo: neste caso são mutantes.
            2-não mostrando a mutação em seu fenótipo: neste caso são chamados de portadores.
            No primeiro caso, eles são chamados Homozigotos, possuem uma única informação genética.
            No segundo caso, eles são ditos Heterozigotos, pois possuem duas informações: uma original que prevalece no fenótipo e a outra mutante que fica escondida no genótipo.
            Atenção: As fêmeas deste grupo só podem apresentar a mutação em seu fenótipo, não podendo ser portadoras de qualquer destas mutações. São chamadas, por isto, e Hemizigotas, pois só recebem informações para cores sexo-ligadas fornecidas pelo pai.
            Estes termos utilizados acima podem ser melhor entendidos, lembrando o significado dos prefixos gregos usados para formulá-las:
            -Homo = igual;
            -Hétero = diferente;
            -Hemi = metade.
            No exemplo 1 anteriormente citado, o Macho Verde seria Homozigoto (não portanto nenhuma cor) se tivessem nascido somente filhotes Verdes. Porém, como nasceram filhotes Canelas, ele é dito Heterozigoto (portador de outra cor), ou seja, é um Verde portador de Canela.
            Quando uma cor se manifesta no Fenótipo “escondendo” o efeito de outra cor, ela é dita Dominante. A cor que ficou escondida é dita Recessiva (ou seja, dominada).
            Concluímos que, para uma cor recessiva aparecer no fenótipo do canário, existe a necessidade desta estar em dose dupla no genótipo (informação fornecida pelo Pai e pela Mãe), porque se assim não for, ela ficará escondida pela cor dominante que estiver presente.
Atenção: Todas as mutações sexo-ligadas são recessivas.
            Ainda em relação ao exemplo 1, podemos afirmar que os filhotes Canelas que nasceram são fêmeas, pois para que nascessem Machos Canelas, seria obrigatório que a reprodutora fosse Canela.
            Isto ocorre porque, quando a mutação é sexo-ligada, para que nasçam filhotes machos com fenótipo mutante, é obrigatório que esta informação genética seja transmitida pelo pai e pela mãe.
            Obs: Qualquer mutação recessiva sempre se comporta do mesmo modo, descrito acima.
Relação de Dominância entre os canários melânicos sexo-ligados
            Existe uma escala de Predominância entre as Cores dos Canários Melânicos, já que certa mutação pode ser dominante em relação a uma recessiva em relação a outra.
            Por exemplo: o Ágata é recessivo em relação ao Verde, sendo dominante em relação ao Isabelino.
            Veja o quadro abaixo e observe a escala de Dominância entre as mutações melânicas sexo-ligadas:
 
            Atenção: qualquer destas cores pode portar a seguinte, obedecendo sempre o sentido das flechas. Porém, nenhuma delas poderá portar a outra, no sentido contrário das flechas.
            Observando o quadro acima concluímos que:
            -O Verde pode portar Ágata, Canela, Isabelino, Acetinado e Pastel.
-O Ágata pode portar Isabelino, Acetinado e Pastel.
-O Canela pode portar Isabelino, Acetinado e Pastel.
-O Isabelino pode portar Acetinado e Pastel.
-Não existe relação de dominância entre Ágata e Canela. Logo, Ágata não pode portar Canela e nem Canela Portar Ágata.
            Obs: A mutação MARFIM, embora faça parte do grupo das mutações sexo-ligadas, não afeta as melaninas, e por isso, não aparece no quadro acima. Sua atuação se limita apenas ao lipocromo amarelo ou vermelho. Por outro lado, como qualquer canário melânico também pode possuir lipocromo, este pode estar afetado pelo fator Marfim, direto ou indiretamente, isto é, sendo Marfim ou portador de Marfim.
Acasalamento
            Faremos um quadro abaixo, onde através dele, você conseguirá obter os resultados para os acasalamentos dos exemplos com mutações sexo0ligadas.
            Para que você possa entende-lo melhor, precisará antes se familiarizar com os termos: Puro, Normal e Portador, para que consiga sucesso em seu uso.
            Normal: exemplar dominante em relação ao outro elemento do casal (veja o quadro de dominância anterior).
            Puro ou Mutante: exemplar que apresenta a mutação em seu fenótipo.
            Portador: exemplar heterozigoto, ou seja, aquele que porta a cor mutante.
            Exemplos:
            1-Entre os exemplares: Canela, Canela Pastel e Canela portador de pastel, temos:
            Normal: Canela
            Puro: Canela Pastel
            Portador: Canela portador de Pastel.
            2-Entre os exemplares: Verde, Canela e Verde portador de Canela, temos:
            Normal: Verde
            Puro: Canela
            Portador: Verde portados de Canela.
            Atenção: veja pelos dois exemplos anteriores que o Canela é um Puro (mutante) quando em confronto com o Verde, porém é um Normal quando em confronto com o Pastel.
            Lembre-se que a dominância dependerá das cores que estarão se confrontando.
            Devemos acasalar as mutações sexo-ligadas segundo o esquema abaixo:
Reproduções                                                           Filhotes
Macho Puro x Fêmea Normal                                Macho Portador
                                                                                  Fêmea Pura
Macho Normal x Fêmea Pura                                Macho Portador
                                                                                  Fêmea Normal
Macho Portador x Fêmea Pura                             Macho Puro
                                                                                  Macho Portador
                                                                                   Fêmea Normal
                                                                                  Fêmea Pura
Macho Puro x Fêmea Pura                        Macho Puro
                                                                                  Fêmea Pura
As Mutações Autossomais
            As mutações autossomais são aquelas que ocorrem em genes independentemente do sexo dos pais.
            Tanto machos quanto fêmeas poderão ser portadores da mutação.
            As mutações autossomais podem ser:
            a)Dominantes: Intenso e Branco Dominante, onde o Intenso domina o Nevado e o Branco Dominante domina o Amarelo;
            b)Recessivas: Branco, Opalino, e Feo, onde o Branco é recessivo em relação ao Amarelo assim como o Opalino e o Feo são recessivos em relação aos seus genes originais.
            Nas mutações autossomais, para que os filhotes apresentem a mutação no Fenótipo, independendo do sexo destes, é obrigatório que os reprodutores (pai e mãe) sejam mutantes ou portem a mutação. Sendo os reprodutores ditos Homozigotos Recessivos ou Heterozigotos, respectivamente.
            Exemplo:
            De um casal de Verdes nasceram filhotes Verdes e Feos.
            Podemos afirmar que o pai e a mãe são portadores da mutação Feo, porém nada podemos dizer a respeito do sexo dos filhotes, já que esta mutação não é sexo-ligada, ou seja, os filhotes obtidos podem ser machos ou fêmeas.
            Se a mutação Feo fosse sexo-ligada, certamente todos os filhotes Feos seriam fêmeas. Concorda?
Acasalamento
            Deve-se acasalar as mutações autossomais do seguinte modo:
Reprodutores                                                           Filhotes
Macho Puro X Fêmea Normal                               Macho Portador
ou Macho Normal e Fêmea Pura                          Fêmea Portadora
Macho Puro X Fêmea Portadora                          Macho Portador e Macho Puro
ou Macho Portador x Fêmea Pura                        Fêmea Portadora e Fêmea Pura
Macho Portador x Fêmea Portadora                    Macho Normal, Portador e Puro
                                                                                  Fêmea Normal, Portadora e Pura
Macho Puro x Fêmea Pura                        Macho Puro
                                                                                  Fêmea Pura
            Observe que, pelos dois primeiros retângulos, o resultado será o mesmo se acasalarmos Macho “A” x Fêmea “B” ou Macho “B” x Fêmea “A”.
            Exemplo 1:
            Ao acasalarmos um macho Canela Opalino com uma fêmea Canela Portadora de Opalino, qual você consideraria?
            a)Normal?
            b)Puro?
            c)Portador?
            d)Qual o resultado esperado para os filhotes?
           
            Respostas:
            a)Canela
            b)Canela Opalino
            c)Canela portador de Opalino
            d)Observando a tabela, podemos observar que nascerão, portanto:
Macho Portador                               Macho Canela Portador de Opalino
            Macho Puro                                      Macho Canela Opalino
            Fêmea Portadora                            Fêmea Canela Portadora de Opalino
            Fêmea Pura                                     Fêmea Canela Opalino
            Exemplo 2:
            Ao acasalarmos um macho Feo (vindo de Canela) com uma fêmea Canela portadora de Feo, diga qual o exemplar considerado:
            a)Normal?
            b)Puro?
            c)Portador?
            d)Qual o resultado esperado para a prole?
            Respostas:
            a)Canela
            b)Feo
            c)Canela portador de Feo
            d)Pelo visto, trata-se do acasalamento de Macho Puro x Fêmea Portadora
            Logo, nascerão:
            Macho Puro                                                  Macho Feo
            Macho Portador                                           Macho Canela Portador de Feo
            Fêmea Pura                                                 Fêmea Feo
            Fêmea Portadora                                        Fêmea Canela Portadora de Feo
            Exemplo 3:
            Responda à questão anterior, caso o acasalamento fosse: Macho Canela portador de Feo x Fêmea Feo.
            Resposta:
            O resultado seria o mesmo, pois teríamos macho Portador x Fêmea Pura.
Comparações entre as transmissões sexo ligadas e autossomais
Sexo Ligada                                                            Autossomal
O fenótipo dos filhotes depende                           O fenótipo dos filhotes independe
do sexo dos pais.                                                    do sexo dos pais.
Para nascerem fêmeas mutantes                         Para nascerem fêmeas mutantes é
basta que o pai seja portador da mutação          necessário que o pai e a mãe
                                                                                  portem a mutação.
As fêmeas homozigotas, ou seja,                         As fêmeas podem ser homozigotas
trazem informações de cores                               ou heterozigotas, ou seja, trazem
herdadas somente do pai                                      informações herdadas do pai e da
                                                                                  mãe
O resultado do acasalamento dará                      O resultado do acasalamento dará
prole com diferentes características                     prole com as mesmas características
de cor, se acasalarmos Macho “A” x                    de cor, se acasalarmos um Macho
fêmea “B” ou um Macho “B” x Fêmea “A”            “A” x Fêmea “B” ou um Macho “B” x
                                                                                  Fêmea “A”
Conclusão
            Neste trabalho, abordamos a genética relacionada com as Cores dos Canários, porém, é importante ressaltarmos que as Leis de Genética são aplicadas a outros fatores como: Plumagem, Forma, Tamanho, Receptividade às Doenças, Capacidade Reprodutiva, etc.
           
Não se contente apenas com as informações expostas aqui. Após várias leituras, você vai observar que este nível de conhecimento já não responderá a algumas perguntas que estarão sendo necessárias. Esta será a hora de você passar à leitura de nível mais avançado.              
Agradecimentos ao site Criadouro Kakapo.          

0 Alimentos colorantes para canários de fator Vermelho

 
Na natureza, as aves comem uma grande variedade de insetos, crustáceos, algas, musgos, frutos e bagas.
Destes alimentos, elas recebem e metabolizam vários carotenóides, que acabam por depositar na plumagem.
Na regiăo Centro-Norte dos Estados Unidos da América, o Cardinal apresenta cores bastante mais mortiças durante o Inverno. Nestes meses mais frios, a sua alimentaçăo é majoritariamente constituída por sementes. O Flamingo alimenta-se de plâncton, o qual é rico em pigmentos.
Se forem privados da sua alimentaçăo habitual, ao mudarem a pena perdem a sua bonita cor rosada, ficando tăo brancos como um frango de aviário.
Nos Zôos, os Flamingos recebem uma dieta com sumo de beterraba ou Flamen-Oil (mistura de óleo escuro de cenoura e outros óleos vegetais integrais) ou, mais freqüentemente ainda, substâncias pigmentantes disponíveis no comércio especializado.
É assim natural que o Fator Vermelho dessas aves necessite de substâncias especiais para que possa ter expressăo na plumagem.
É tăo natural fornecer a uma raça de aves de Fator Vermelho concentrados de carotenóides como alimentar uma fęmea em postura com ovos cozidos. Será que as aves selvagens comem ovos para alimentar a sua prole? Năo! Antes de serem domesticadas, as aves alimentavam as suas crias com insetos e plantas bravias. E com estas fontes alimentares que o Cardinalito selvagem consegue manter a sua intensa cor vermelha.
Durante os "anos escuros" da canaricultura, as aves coradas "artificialmente" eram  simplesmente banidas das exposiçőes. Desde o início, houve uma acesa discussăo acerca do que seria uma alimentaçăo colorante. Alguns consideravam mesmo que a utilizaçăo de cenouras na alimentaçăo era uma forma artificial de pigmentar aves através da alimentaçăo. A maioria aceitava qualquer tipo de fruta ou vegetais mas eram terminantemente contra a utilizaçăo de concentrados. Nesta confusăo, era difícil saber onde encaixar a pimenta vermelha. Era impossível impor uma regra e tudo isto só servia para instalar a suspeiçăo e fomentar má vontade entre os criadores. Ninguém admitia utilizar qualquer tipo de alimento colorante e algumas aves de qualidade extraordinária, mesmo que năo fossem alimentadas de uma forma especial, eram impedidas de entrar em concursos, por serem suspeitas.
Noutros concursos, baseados na "honorabilidade" dos participantes, só as aves "preparadas" tinham hipóteses de vencer. Mesmo atualmente, o iniciado é deliberadamente enganado por alguns criadores. Num recente concurso de canários de cor eu ouvi um concorrente premiado, que compra grandes quantidades de concentrados químicos, dizer a um jovem aficcionado: "Alimentos pigmentantes? Eu? Năo, eu só utilizo verduras!".   Posso afirmar categoricamente que nos últimos vinte anos năo houve um único canário de Fator Vermelho que tenha vencido um concurso de canários de cor, que năo tenha sido alimentado com uma dieta colorante especial!. Há muitos mitos a envolver a alimentaçăo de canários de Fator Vermelho. Alguns entusiastas acreditam que os carotenóides irăo afetar o fígado das aves, reduzindo-lhe de alguma forma a esperança de vida. Isto năo é, de todo, verdade. Vá até uma loja de produtos dietéticos e verá o B-Caroteno colocado num local de destaque, destinado ŕ alimentaçăo humana.   O B-Caroteno é um antioxidante e pensa-se que desempenha  um importante papel na prevençăo e cura em processos de doença, incluindo o cancro. O B-Caroteno é uma das substâncias mais importantes na alimentaçăo colorante para canários de Fator Vermelho.
As substâncias utilizadas para melhorar a cor em aves de Fator Vermelho săo classificadas como lipossolúveis (solúveis em gordura).
Como conseqüęncia disto, o seu organismo năo dispőe de um mecanismo simples de remoçăo do que está em excesso. O uso de agentes promotores da cor melhora a aparęncia das aves e beneficia o seu estado de saúde. NO entanto, o seu uso indevido ou excessivo podem ser prejudiciais. As indicaçőes  relativas ŕs dosagens devem ser escrupulosamente seguidas. Como regra prática, qualquer das substâncias pigmentantes pode ser fornecido até que as fezes apresentem uma cor rosada. Este é um sinal de que a ave já atingiu o máximo de quantidade de pigmentante que consegue absorver e utilizar.
Infelizmente, muitos criadores recusam-se a ler ou a seguir as indicaçőes. A água deve ser mantida sempre fresca, pelo que tem que ser mudada diariamente. Isto é duplamente verdade se a água contiver agentes pigmentantes. A água pode estragar-se facilmente, se tiver substâncias  pigmentantes dissolvidas e năo for substituída freqüentemente. As substâncias químicas devem ser guardadas num local fresco, escuro e seco. Embora năo as destrua, o calor, a luz e a umidade fazem com que as substâncias percam potęncia. Se forem refrigeradas, as substâncias podem durar para sempre, ou quase...
Năo há uma idade mínima para começar a fornecer ŕs aves alimentos colorantes.
Agradecimentos ao site Criadouro Kakapo.

0 PREPARAÇÃO DA SEMENTE GERMINADA

Para muitos um fenômeno, para outros nem por isso, mas deixo aqui a idéia de como preparar a semente germinada para uso na criação e se quiserem na manutenção ou mesmo muda da pena...
Colocar uma medida (vai depender da quantidade de canários a criar que possa ter) dentro de água durante 24 horas.
Para quem não entende, por exemplo, colocar as sementes dentro de água às 10 horas da manha e retirar no outro dia as mesmas horas (10 horas da manha), utilizar um escoador para retirar por completo a água, ficando apenas as sementes húmidas...
Podem utilizar logo a sementes, juntamente com papa, mais seca que húmida pois a semente já está molhada, o que vai deixar a papa totalmente húmida....
O Ideal será juntar a semente a papa quando a sementes apenas tem 40 % da sua humidade....
Mas para quem faz semente germinada para ser usada no dia seguinte das 24 horas de remolho é o ideal...
Ora vejamos, meter as sementes dentro de água, esperar 24 horas, retirar da água, depois deixar mais 24 horas para as sementes começarem a germinar, ai sim, está tudo pronto para começar a dar as crias.
Após misturar a quantidade suficiente com a papa para servir as crias, aconselho que voltem a passar água pelas sementes, lavá-las bem, para não deixar criar os ditos fungos, muito prejudiciais as crias e pais, podendo leva-los a morte....
Aconselho a lavarem as sementes, após sua utilização, e retirar a água, fazendo isso todos os dias....
Para quem tem um Canaril muito quente, poderá colocar as sementes numa zona mais fria, podendo leva-las para o frigorífico, mas atenção, antes de a darem não a dêem directamente, esperem que as sementes fiquem a temperatura ambiente, pois o frio poderá fazer uma congestão aos canários....
Bem creio que seja tudo, o importante está referido, se alguém achar que falta alguma coisa e deve complementar, basta deixar o seu parecer ao responder a este tópico....
Boa continuação das criações...

Agradecimentos ao senhor Leandro Leitão e ao site Criadouro Kakapo.

0 CHOQUE LUMINOSO EM CANÁRIOS



Choque Luminoso em Canários
Descrição de um tratamento para esta “Doença”
Dr. Luiz Fernando da Rocha Dib
Revista Pássaros Ano 14 Nro 77
Arquivo Editado em 30 Maio 2010 – Criadouro Kakapo


Introdução
O denominado "choque lumino­so" em canários ocorre, sobretudo, em pássaros alojados em canaris de pouca luminosidade. Portanto uma "doença” que atormenta a grande maioria dos criadores pois, em geral são adaptados locais nas respectivas residências para o desenvolvimento desta apaixonante criação, e não construídos locais pró­prios aos canários.
Ao longo dos anos, entretanto, embora o choque luminoso seja a causa de numerosas e sentidas per­das nos diversos canários, não existia um tratamento eficiente contra o mesmo. A experiência de vários cria­dores produziu atitudes paliativas de alguma eficiência apenas nos choque brandos, que serão apresentados a seguir. Este artigo tem por objetivo a descrição de um novo tratamento que deverá vir a ser bastante empregado, pois até o momento apresentou 100% de eficiência nos choques denomina­dos graves, isto é, em choques que seriam fatais aos pássaros caso não fosse administrado o tratamento.
Ocorrência e Formas
O choque luminoso quando acontece, ocorre de forma imediata caso, ao transportar os pássaros, verifique-se uma marcante diferença de luminosidade de um ambiente para outro. Como exemplo, podemos citar casos que aconteceram após o transporte de canários, em geral feito em pequenas caixas do canaril para os locais de exposição dos diversos clubes e vice-versa.
Contudo, a sua maior incidência acontece quando os pássaros são levados para o banho de solou na sua volta para o alojamento. Situação que é muito agravada no período de cria, pelo maior tempo de permanência dos canários nos seus alojamentos de bai­xa luminosidade, portanto tornando­se mais sensíveis às mudanças.
O choque luminoso apresenta­se desde as formas mais brandas, portanto mais comuns, até as formas mais graves, em geral fatais.
As formas brandas apresentam os seguintes sintomas: piar rápido e contínuo, abertura do bico e grande diminuição da mobilidade do pássaro, que se posiciona no fundo da gaiola, demonstrando perda de equilíbrio para permanecer no poleiro.
As formas graves ou fatais, mais raras, representam a progressão das formas brandas de início dos choques, para quadros com os seguintes sinto­mas: crises convulsivas contínuas, movimentos rápidos e giratórios da cabeça, movimentos contínuos de uma asa e uma pata, perda de controle do controle motor das asas e patas. A intensidade e freqüência desses sintomas ou levará o canário a uma invalidez permamente ou ao óbito imediato.
Os casos de invalidez levarão, também, os canários à morte, por falta de apetite e/ou dificuldades para uma alimentação conveniente, em um prazo de alguns dias até su­perior a um ano, como já verificamos no nosso canaril. Por outro lado, nos casos de obtido imediato, isto é, num período de poucas horas após o início do choque, observa-se a ocorrência de hemorragia, ou seja, a eliminação de sangue pelo bico do pássaro, tal­vez de origem pulmonar.
Tratamento das Formas Brandas
A experiência de vários grandes criadores indica que quanto mais precoce a ajuda ao canário em cho­que melhor. Para tanto, procuram evitar a fixação do pássaro no estado de choque, transportando-o para um local com luminosidade menos expressiva, molhando a sua cabeça, mexendo com o mesmo para alterar o centro de atenção do canário.
Ressalta-se que estas atitudes são paliativas e válidas somente para os choques luminosos brandos, nos quais existe uma recuperação rápida do pássaro.
Tratamento das Formas Graves
Considerando uma associação com tratamentos empregados em seres humanos, foi elaborado um tratamento experimental para as formas graves do choque luminoso.
Da mesma forma que as ati­tudes paliativas mencionadas anteriormente, o tratamento deve ser empregado ao notar-se as primeiras convulsões, sendo que consiste na aplicação de um benzodiasepinico, isto é, um calmante com Diazepam, Valim, Lorax, Somalium, Lexotan, Nitrenpaz, etc. nas suas formas de comprimidos ou injetáveis.
A nossa experiência indica como recomendável uma solução "caseira" constituída, por exemplo, de 1/4 de comprimido de 5 mg de qualquer dessas drogas, o qual maceramos em aproximademente 10 ml de água destilada ou filtrada e aspiramos o líquido sobrenadante para uma seringa de insulina, facilmente ad­quirida em qualquer farmácia.
Esta solução será administrada por via oral, diretamente no bico do pássaro, na razão de 10 a 20 unidades da seringa de insulina, ou injetada na "coxa" do pássaro na razão de 3 a 5 unidades da seringa.
O efeito deste tratamento se faz notar após alguns minutos da sua administração, como a parada das convulsões. Como efeito colateral, ex­tremamente benéfico por sinal, ocorre o adormecimento do pássaro.
Após esse período de sono­lência, variável em função da dose ministrada do grau de gravidade do choque, bem como da resistência do canário, o mesmo retorna gra­dativamente a sua atividade normal completamente recuperado.
Conclusões
Verificamos, ao longo do último ano, resultados excelentes com o método descrito, obtendo 100% de sucesso nas ocorrências de formas graves de choque luminoso.
Esperamos que todos os cria­dores que venham a utilizar-se deste tratamento tenham igual êxito e propiciem um retorno das suas expe­riências para que possamos avaliar melhor o método.
Fonte: Revista da União dos Criadores de Canários de Campinas UCCC.
Agradecimentos ao site Criadouro Kakapo
 

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