domingo, 23 de dezembro de 2012

0 Como curar os ferimentos da Pata dos Canários

Se o seu pássaro estiver com uma das patas levantada, faça uma inspeção visual e tente ver algo anormal. Caso você não consiga ver nada pegue-o com as mão para poder fazer uma análise mais precisa. Mosquitos, farpas ou sujeiras nos poleiros ou gaiolas com mau acabamento são alguns dos fatores que podem causar os problemas nas patas dos canários.

Se você notar que a pata está avermelhada, inchada ou quente, pode ser que alguma inflamação esteja começando no local, neste caso você deve ir até uma loja de produtos veterinários e comprar uma pomada anti-inflamatória, seguindo a prescrição da bula.
 

Feminentos na pata de um canário

Caso a inflamação esteja em um estado muito avançado, você também poderá ministrar um antibiótico diretamente no bico do pássaro e complementar o tratamento colocando 3 gotas de Complexo B na água de beber. Caso tenha algum corte você pode aplicar Iodo

O ideal seria procurar um médico veterinário sempre que os nossos pássaros tivessem alguma doença ou ferimento, contudo é dificil encontrar especialistas em aves e em algumas cidades é dificil até mesmo encontrar o veterinário. As dicas que apresento aqui no site servem como ajuda para quem está em alguma das situações acima.
Agradecimentos ao site Casa dos Pássaros.
 

0 Download de canto de canário belga:

Se você está querendo desafiar o seu canário ou ensinar algum filhote novo a cantar segue alguns links pra download de cantos de canários belga:



http://www.4shared.com/mp3/_da_d7lW/canto_de_passaros_-_canario_be.html
http://www.4shared.com/mp3/JWIbeWOa/Canto_De_Pssaros_-_Canrio_Belg.htm

0 Como cuidar de perna quebrada em Canário belga

O ideal é levar o canário belga, ou qualquer outro pássaro, ao veterinário logo após ele quebrar a perna, contudo nem sempre esta é uma medida fácil de ser realizada, muitas cidades nem contam com veterinários… A primeira medida é colocar uma tala na perna fraturada, por isso vou passar duas formas de “engessar” a perna machucada.
  •   Esta tala pode ser feita de alguns canhões de pena ou com palitos de fósforo, eles devem ser de um tamanho um pouco maior do que a perna do pássaro que vai ser tratada;
  • Você também pode pegar um canudinho de refresco cortado ao meio, corte apenas um lado de forma a encaixar a perna do pássaro no meio.
Em ambos os casos você deve fixar a tala com um pedaço de esparadrapo no centro da perna, conservando-a assim até que o pássaro possa firmar o pé no chão.
 O pássaro deve ser colocado numa pequena caixa ou gaiola, sem poleiros, as sementes e a água devem ser colocadas no chão da gaiola, onde ele possa comer ou beber sem ser necessário movimentar muito as pernas para alcançar os alimentos. A gaiola deve ser coberta com uma capa clara, a fim de esconder qualquer atividade que possa ser vista pelo pássaro, o que o faria mover-se, evitando que os ossos se liguem. Você também deve fornecer cálcio, de preferência na água, para ajudar a “colar” os ossos.
Agradecimentos ao site Casa dos Pássaros.

0 A importância das Verduras e Legumes na Alimentação dos Canários

Os Canários Belgas adoram praticamente todas as verduras e legumes, sendo que as mais recomendadas são a Escarola, Almeirão, Almeirão Roxo, Chicória, Talos de agrião, Rucúla, Couve, Mostarda, Jiló, Milho Verde e Cenoura. Nem todos os canários gostam de todos esses produtos, então vá testando ou fornecendo aos poucos, até que eles acostumem.

É importante que as folhas sejam higienizadas, uma vez que é difícil saber a procedência do que compramos, e atualmente usasse em excesso agrotóxicos e pesticidas. Não dê Alface, Abacate e frutas citricas como laranja e limão, elas podem causar problemas na saúde do seu pássaro.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

2 UMA ALIMENTAÇÃO SADIA E NATURAL

Guy de Cock – Bélgica
Revista COPC 2004
Arquivo Editado em 31/10/2004
Normalmente podemos ler artigos que nos ensinam todo o tipo de truque e especialidade para manter nossas aves em boas condições. Freqüentemente somos então tentados experimentar esta maneira de proceder. Esperamos os melhores resultados na criação. Uma muda menos difícil onde pensamos ter encontrado a panacéia que elimina as doenças em nossos amigos alados.
De certa maneira existem determinadas raças que necessitam um tratamento bem especifico. Mas a maioria das nossas aves se contenta com uma alimentação natural e sadia. Urna doença sempre requer um tratamento complicado. Uma adaptação do menu cotidiano pode fazer tanto bem quanto os medicamentos freqüentemente muito fortes que são encontrados nas farmácias. Às vezes acontece nos sentirmos fracos e abatidos após a ingestão de um ou outro medicamento. Acontece à mesma coisa com as nossas aves!
Este artigo não será uma enumeração de novos produtos miraculosos, mas somente em resumo da maior parte dos alimentos convenientes às nossas, aves, com uma pequena explicação das suas utilizações e finalidades.
Cada um poderá assim fazer uma idéia do equilíbrio alimentar que procura para seus pássaros, e determinando as mudanças que pode fazer o momento que poderá ou deverá lhes conceder um "extra".
1 - As proteínas
O corpo é essencialmente constituído de proteínas, principalmente os músculos, o coração, os rins, as penas, a pele. as patas e o bico. Partimos do princípio que, de acordo com o tipo de ave, compramos a mistura adequada ou a fazemos em casa. Na situação de condições climáticas adversas ou num período difícil, damos d pão branco velho embebido em leite, ou ovos, para manter suas proteínas num nível ótimo.
2 -Aminoácidos
Tratam-se de proteínas simples, indispensáveis ao bom crescimento da plumagem. Quando a plumagem se apresentar desarranjada, freqüentemente indica uma carência de leucemia. Uma rica e variada mistura de sementes é suficiente para evitar tal carência.
3 - Hidrates de Carbono
Os hidrates de carbono são uma combinação de carbono, oxigênio e hidrogênio, A mistura de sementes normalmente é suficiente para supri-los.
4 - Os lipídeos
As substâncias graxas constituem uma fonte de energia complementar muito útil quando não administradas em excesso. No inverno as aves apreciarão um pequeno suplemente de gorduras para melhorar suas proteções contra o (rio. Pode-se então  administrar-lhes regularmente 5 gotas de óleo de fígado de bacalhau para cada quilo de ração. 
Entretanto não se deve exagerar, pois as aves muito gordas têm dificuldade na procriação, ou antecipam a época da muda das penas.
5 - As Vitaminas
Uma carência vitamínica propicia grande receptividade às doenças, freqüentemente seguido de uma criação deficiente.
A - Vitaminas Lipossolúveis
a)   Vitamina A
Esta vitamina cuida do funcionamento eficiente das células epiteliais, das mucosas, da visão e da respiração. A melhor fonte é o óleo de fígado de bacalhau, assim como o leite, as gemas dos ovos e os legumes verdes (ex.: espinafre, acelga, salsa, etc.).
As aves em crescimento têm necessidade de um fornecimento duplo de vitamina A. Se for fornecida a vitamina A adequadamente, as mesmas crescerão durante uma estação, ou mais duas. Os periquitos e os canários brancos recessivos (assim como os prateados) deverão receber semanalmente uma boa dose de vitamina A .
b)   Vitamina D
É necessária ao bom desenvolvimento e à formação dos ossos, unhas e bico. Uma carência leva a uma debilidade e a uma deformação das patas ou malformação articular. As fêmeas botam ovos sem cascas ou de casca muito fina. A melhor fonte é o sol. Deixar os pássaros aproveitar ao máximo os raios solares é fundamental, principalmente com sol direto. Se isto não for possível, poderá ser substituído por radiação ultravioleta obtida através de lâmpadas especiais.
Encontra-se no comércio as vitaminas A e D em gotas, porém o óleo de fígado de bacalhau, as gemas e o leite são igualmente importantes como fonte desta vitamina.
c)   Vitamina E
É essencial para a fecundidade, crescimento e desenvolvimento normais. Aconselha-se administrar sementes germinadas, óleo de germe de trigo ou milho, gema e verdura fresca.
d)   Vitamina K
Também chamada de vitamina coagulante.
Encontra-se em legumes, como a cenoura, couve, etc, e em algumas sementes como o cânhamo.
B-Vitaminas Hidrossolúveis 
l-   Vitaminas do Complexo B
As vitaminas do complexo B geralmente são resultantes de transformações metabólicas:
a-Tiamina ou Aneurina - (B1)
Esta vitamina tem importante função na metabolização dos hidratas de carbono. Sua carência leva à perda do apetite e às conseqüências que esta causa. É encontrada sobretudo nas sementes germinadas e no levedo de cerveja. Em menores quantidades na gema, no leite em pó, nas frutas e legumes frescos.
b- Ribollavina (82 ou G)
Uma carência em B2 leva uma produção deficiente de ovos, mortes embrionárias, paralisias das patas e mal desenvolvimento das penas. Em sementes de boa qualidade, as quantidades de vitamina B2 são suficientes. Um suplemento poderá ser oferecido através do levedo das verduras, ovos e leite em pó.
d- Colina
A carência de colina e de manganês poderá determinar colestase hepática. Fontes; levedo de cerveja, leite em pó e sementes.
e- Biotina (H)
As sementes frescas complementadas por tomate e espinafre dão biotina suficiente.
f-Vitamina B12
Esta vitamina contém cobalto e ferro e estimula o crescimento e metabolização do sangue. Encontra-se em produtos de origem animal.
II-Vitamina C
Esta vitamina deverá ser ministrada unicamente em casos especiais, como doenças, envenenamento ou constantes estresses. Os agrumes (cítricos) são os mais indicados para isto.
Vitaminas em geral
Observamos que boa variedade de verduras e qualidade de sementes são fundamentais. Em princípio a administração de vitaminas suplementares é inútil, salvo em circunstâncias especiais. No inverno a falta de verdura poderá ser compensada por outros produtos naturais contendo estas mesmas vitaminas. Pode-se também lazer uso de preparações comerciais de vitaminas: os complexos vitamínicos.
6 - Minerais
Dentro de uma boa alimentação são igualmente necessários os minerais como cálcio (Ca), fósforo (P), cloro (Cl), sódio (Na), magnésio (Mg), zinco (Zn), potássio (K), ferro (Fe), manganês (Mn), cobre (Cu), enxofre (S) e iodo (l). 
Estes minerais ajudam na boa alimentação dos músculos, das glândulas, dos nervos e do cérebro.
O cálcio é o mineral de maior importância para a formação dos ovos, desenvolvimento do esqueleto, coagulação sanguínea e funcionamento do sistema nervoso e dos órgãos.
O fósforo é importante para a construção dos ossos, no metabolismo das proteínas e dos lipídeos. 
O magnésio mantém o equilíbrio entre o cálcio, o fósforo e a vitamina D.
A maior parte dos minerais se encontram dentro de uma boa alimentação. As cascas das ostras (85%), ossos (80%), as cascas dos ovos e o calcário são ricos em cálcio.
O iodo se encontra nos ossos, cascas de ostras, ovos, leite e óleo de fígado de bacalhau. 
O cobre é importante para a boa composição do sangue. De tempos em tempos podemos colocar um pouco de sal de cozinha (cloreto de sódio) dentro da água.
Percebe-se que muitos dos produtos provenientes do mar são ideais para manter a taxa de minerais. Cascas de ostras trituradas, ossos e eventualmente algas são excelentes complementos.
É muito aconselhável colocar-se dentro das gaiolas recipientes com alimentos que contenham essas substâncias. as aves escolherão e complementarão, elas mesmas, suas necessidades.
7-Verduras
Toda espécie de verdura contém diferentes vitaminas e certos minerais.
Na maior parte desses legumes encontramos ferro, cobre, zinco, manganês, iodo, cálcio, magnésio, potássio, sódio, fósforo e cloro. Eles possuem igualmente um alto teor em proteínas e carotenos na sua fase de crescimento. É melhor distribuir os legumes tenros. Estes legumes e verdura deverão ser os mais escuros possíveis para estarem em seu pleno valor nutritivo; os distribuiremos, sempre que possível, preferentemente pela manhã ou ao meio - dia, em quantidade tal que em duas horas tenham sido  consumidos.
Hoje é mais fácil do que antigamente, porque encontramos os legumes em todas as estações. É preferível procurar o verdureiro do que o farmacêutico; naquele podemos escolher: acelga, espinafre, folhas de almeirão, chicória, etc.
É importante saber onde adquirir as verduras pois não pode conter agrotóxico.

0 Princípios de Genética

 
Anuário técnico 4C-1999
Revista Pássaros ano 5 nro 23/2000
Arquivo editado em 31/05/2003
 
Qualquer pessoa, logo que pense em fazer criação de canários, começa a tentar compreender algumas regras básicas para acasalamento destas aves. 
Devo desde já adiantar que esta não é uma área muito fácil de entender visto a genética ser uma ciência bastante complexa e em evolução. De qualquer forma, mesmo pequenos conhecimentos, são excelentes para a criação de canários. Para começar, penso que será benéfico clarificar alguns termos utilizados: 
Gene: fator de transmissão de caracteres hereditários constituindo uma unidade independente. 
Genótipo: totalidade de genes, composição hereditária de um individuo através de herança paterna e materna. 
Fenótipo: aspecto determinado pelo genótipo e por modificações eventuais (por exemplo, derivadas de condições ambientais). 
Caráter hereditário: qualquer característica de um serviço susceptível de ser transmitido a sua descendência. 
A herança genética, genótipo, de um individuo já se encontra no ovo. O ovo resulta de união do espermatozóide (com herança genética da mãe). Essa informação encontra-se em cromossomos. 
Quando os genes (um do pai e outro da mãe), que determinam um caráter são iguais estamos perante uma situação de Heterozigotia. 
Num caso de heterozigotia o filho, apresenta, ou o caráter do pai, ou o caráter da mãe, ou apresenta uma situação nova resultante de combinação dos genes do pai e da mãe. Se apresentar o caráter do pai dizemos que esse caráter é dominante e o da mãe é recessivo. Dizemos ainda que esse filhote é portador do caráter recessivo da mãe, porque o tem no seu genótipo, mas não se manifesta. Se o que surge e uma mistura dos dois caracteres (do pai, da mãe) dizemos que não há predominância.
Por vezes, a informação que um gene contem altera-se, passando a transmitir uma informação diferente dando-se o que se chama uma mutação aberração cromossômica ou alteração genética. Estes acidentes genéticos, tais como alteração, eliminação, duplicação, trissomia de par ”crossing-over” são bastante complexos nao cabendo tais explicações no âmbito deste pequeno texto. 
O ”crossing-over” permite obter canários Isabel cruzando-se canários canelas com Ágatas. 
O sexo dos canários é também determinado pela combinação de genes. 
Desta forma, talvez seja possível entender-se os caracteres ligados ao sexo. Um macho que possua um caráter ligado ao sexo pode dar origem a fêmeas que não o apresentem e a machos que o apresentem. O macho pode ser Puro Portador ou Normal e a fêmea pode ser Pura ou Normal. Nem todos os caracteres são ligados ao sexo. 
Chama-se fator letal, aqueles caracteres que quando se apresentam em homozigotia (igual no macho e nas fêmeas) conduzem a morte do embrião. 
Estão nesse caso duas situações muito importantes:
– Caráter Branco-Dominante; 
– Caráter Intenso. 
Segue-se uma lista de fatores dominante e recessivo. 
 
Dominante  Recessivo
Oxidação Diluição
Não Pastel  Pastel
Não Opal  Opal
Não Ino  Ino
Não Satinet  Satinet
Nao Marfim Marfim
Não Branco  Branco
Intenso  Recessivo
Eumelanina Negra  Eumelanina Castanha
Negros Castanhos  Castanhos
Negros Castanhos Ágatas
Negros Castanhos Isabel
Ágatas Isabel
Castanhos Isabel
Fatores onde não se manifesta qualquer dominância 
Presença de refração  Ausência de refração
Presença de melanina Ausência de melanina
Fator vermelho Fator Amarelo 
Caracteres não ligados ao sexo: 
O fator que determina a presença da melanina; o fator Ino; o fator de refração; o branco dominante; o branco recessivo; o fator opal; o fator intenso: o fator amarelo e o vermelho. 
Caracteres ligado ao sexo:
O fator que determina a presença de eumelanina negra: o fator determinante da diluição (Ágata Isabel); o fator determinante do efeito pastel; o fator marfim; o efeito Satinet. 
Agradecimentos ao site criadouro Kakapo. 

0 HIBRIDAÇÃO E AS SUAS CONSEQÜÊNCIAS

DEFINIÇÕES
A hibridação consiste no cruzamento de aves diferentes. Os híbridos são o resultado desse cruzamento. Pode-se distinguir:
HÍBRIDOS INTER-ESPECÍFICOS: Seus pais pertencem a espécies diferentes. Por exemplo, pintassilgo x canário. Na natureza esses pássaros não se cruzam entre si, porém em cativeiro esse acasalamento é possível.
Estes híbridos são freqüentemente chamados de mulas, por analogia do acasalamento jumento e égua.
HÍBRIDOS INTRA-ESPECÍFICOS: Seus pais pertencem à mesma espécie. Por exemplo, canário border x canário de cor. Os canários border e os de cor pertencem a duas raças diferentes. Os híbridos são chamados de mestiços. Enquanto as mulas são freqüentemente estéreis, os mestiços são geralmente férteis.
HÍBRIDOS MENDELIANOS: Seus pais pertencem a uma mesma espécie, porém eles também são de raça pura. Uma ave é de raça pura quando vem de uma linhagem onde todos são semelhantes. Mendel descobriu as leis de hereditariedade através de cruzamentos de pais de raça pura, depois seus descendentes.
Em genética os indivíduos de primeira geração formam os F1 que, cruzando-se entre si, resultam em uma segunda geração os F2. Acasalando-se um híbrido F1 com seu pai ou sua mãe obtém-se um R1; na utilização de um indivíduo F2, obtém-se um R2.
PARTICULARIDADES DOS HÍBRIDOS
SEMELHANÇA DOS HÍBRIDOS Os híbridos inter-especifícios por terem a mesma origem são geralmente parecidos. Dessa forma, quando se cruza um pintassilgo (Carduelis carduelis) com um canário verde (muito próximo do canário silvestre), os pássaros obtidos são muito parecidos de aspecto, são de cor escura, com forma intermediária entre aquela do pintassilgo e a do canário, o bico é ponteagudo, como aquele do pintassilgo e apresentam máscara vermelha alaranjada, comparável aquela do pintassilgo, porém menos colorida e clara. Isto ocorre porque as espécies silvestres devem seu aspecto (ou fenótipo) aos genes dominantes, que são os mesmos para todos os pintassilgos. Todos os canários silvestres têm também em comum seus genes dominantes. Freqüentemente as aves silvestres são puras para seus caracteres principais; em outras palavras, os dois genes correspondentes ao mesmo caracter são idênticos.
Conseqüentemente os híbridos pintassilgo português x canário verde são comparáveis aos híbridos mendelianos e são parecidos. Porém ocorrem exceções. Por exemplo híbridos F1 de pintassilgo português x canário podem não ter a máscara vermelha alaranjada, Machos híbridos pintassilgo (Carduelis cannabina) canário verde podem não ter o peito cor de rosa.
Estas exceções são devidas aos pais não serem puros. A ausência da máscara num híbrido F1 de pintassilgo português x canário verde pode ser explicada da seguinte maneira: a máscara do pintassilgo português é devida provavelmente a um gene dominante que inibe o depósito de melanina, o que explica a cor branca e torna possível o depósito de carotenóide vermelho. Se o fator inibidor está presente em dobro (duplo exemplar), todos os híbridos e todos apresentarão máscara. Porém se o fator inibidor existe somente em um único exemplar, terá apenas a metade de híbridos F1 que a receberão, ficando os outros híbridos sem máscara.
Esta hipótese parece correta. Realmente constata-se que os híbridos F1 sem máscara são sempre fêmeas. Isto se explica admitindo-se que o fator inibidor dominante está ligado ao sexo. Conseqüentemente um macho pintassilgo português heterozigoto poderá dar fêmeas F1 normais e fêmeas F1 sem máscara. Pelo contrário, com uma fêmea pintassilgo português obter-se-á sempre híbridos F1 com máscara. Com o Diamente de Gould tem-se um caso parecido: a máscara vermelha é devida a um  fator dominante inibidor da melanina, o que permite o depósito do carotenóide vermelho; um dominante macho com máscara vermelha, porém heterozigoto, dá fêmeas que tanta podem ser com máscara vermelha como sem máscara (portanto, com máscara negra). Com uma fêmea de diamante com máscara vermelha tem-se os 100% de diamantes F1 com máscara vermelha.
Os híbridos F1 de pintassilgo português x canário, que têm peito verde-musgo, podem tembém serem explicados admitindo-se que no pintassilgo existe um fator inibidor-dominante que limitaria o depósito de melanina no peito. Se o pintassilgo macho é heterezigoto para este fator, alguns híbridos F1 não receberão o fator inibidor; seu peito então será verde como no canário verde.
Cada vez que um criador obtém um híbrido excepcional, seus pais devem ser conservados. Esses pais permitirão continuar a hibridação ou, ainda, servirão para obter-se raças que darão rapidamente novas mutações.
HEREDITARIEDADE LIGADA AO SEXO Os caracteres ligados ao sexo presentes no pai podem apresentar-se nas fêmeas híbridas F1. Desta forma, cruzando-se canário acetinado macho x f?emea pintassilgo português, obtêm-se fêmeas normais e fêmeas F1 acetinadas (em outras palavras, sem melanina negra e com olhos vermelhos).
Com um canário isabelino pastel macho, pode-se obter fêmeas F1 isabelino pastel. Os caracteres marfim, canela, ágata, isabelino, acetinado e pastel são ligados ao sexo no canário: podem passar juntos ou separadamente para fêmeas híbridas.
ESTERILIDADES DOS HÍBRIDOS Um híbrido F1 recebe a metade de seus cromossomos de seu pai e outra metade de sua mãe. Para que ele seja fértil é indispensável que seus cromossomos possam formar pares. Senão a formação das células reprodutivas não ocorreriam. Conseqüentemente tem-se fêmea F1 que não põe ou macho F1 que não consegue fecundar (daí os ovos claros).
Se os cromossomos recebidos pelo híbrido F1 são pouco diferentes, o híbrido pode ser fértil.
Quando se acasala duas aves de espécies diferentes, a fertilidade fica proporcional a quanto mais vizinhas forem essas espécies:
-Mesma espécie: 100% de fertilidade dos híbridos; 
-Espécies vizinhas: alguns híbridos são férteis;
-Espécies muito vizinhas: machos férteis; fêmeas estéreis;
-Espécies bastante vizinhas: machos férteis, todas fêmeas estéreis;
-Espécies pouco vizinhas: alguns machos férteis, todas fêmeas estéreis.
-Espécies bem diferentes: todos os híbridos são estéreis.
As espécies muito vizinhas seriam as pertencentes ao mesmo gênero (exemplo: Serino Serinus serinus e canário) e as espécies muito diferentes pertenceriam a famílias diferentes )exemplo: Pontífice índigo Passerina cyanea x canário).
Com relação ao canário, alguns híbridos férteis foram conseguidos pelo acasalamento com pássaros do gênero Serinus e Carduelis (spinus, chloris). A fertilidade dos híbridos é muito importante para conhecer-se o grau de parentesco entre duas espécies. Quanto mais aparecem híbridos férteis, mais os cromossomos são semelhantes e mais o parentesco é importante.
TAMANHO E COR DO HÍBRIDOS O tamanho dos híbridos é geralmente intermediário entre os tamanhos dos pais. Isto é decorrência de que o tamanho é comandado por numerosos genes cujas ações se completam (co-dominância). Portanto, é possível que uns híbridos sejam maiores que seus pais, isto ocorre geralmente nos híbridos inter-raciais (híbridos intra-específicos) e este fenômeno é denominado heterosis. Pode ser explicado admitindo-se que teve aquisição de novos genes para os híbridos. Esta aquisição decorre freqüentemente como conseqüência  de uma inversão cromossômica, isto é, da presença de um fragmento de cromossomo onde os genes são alinhados em posição inversa da normal. No híbrido, por aí ter acúmulo da porção normal acarretar um aumento de tamanho.
A cor dos híbridos F1 é geralmente menos viva e menos delimitada que a dos pais. A máscara do híbrido F1 de pintassilgo português x canário é menos vermelha e menos clara que no pintassilgo; o híbrido F1 de pintassilgo da Venezuela (Carduelis cucullata) x canário tem menos vermelho que o pintassilgo. Isto ocorre porque a cor vermelha e sua localização dependem de vários genes que são passados todos para os híbridos. A presença de uma cor depende freqüentemente de uma série de reações químicas, e a sua situação na plumagem depende de fatores de localização.
LEIS DE MENDEL E HIBRIDAÇÃO Aves de espécies diferentes podem ter os mesmos genes (fator pastel, fator marfim, fator ino – por exemplo), porém estes genes podem ocupar posições diferentes sobre os cromossomos. Conseqüentemente duas aves de plumagem pastel (melaninas diluídas) terão ainda o fator pastel, porém os genes correspondentes não serão alelos. Ora, as leis de Mendel dizem respeito a genes alelos.
Acontece que as proporções dadas pelas leis de Mendel (por exemplo ¼, ½, ¼ em F2) não se observam no caso de híbridos F1; os tipos novos são muito menos freqüentes que os previstos. Isto permite compreender porque na hibridação pintassilgo português x canário aparecem muito poucas fêmeas sem máscaras em vez de 50% e também porque os machos férteis quase não ocorrem, quando deveriam ser em torno de 50%. Uma ave macho possui dois cromossomos X, um provindo do seu pai e outro de sua mãe. No caso dos machos F1 pintassilgo x canário, os dois cromossomos X não são muito diferentes e isto explica porque estes machos podem ser férteis. Porém um outro fenômeno intervém; no macho um dos X fica em repouso e forma um corpúsculo, o corpúsculo de Barr. Um macho F1, cujo X ativo provém do canário, seria fértil com uma fêmea canário. Embora que estatisticamente 50% de machos F1 devem seu X ativo ao canário, entre eles muitos poucos são férteis. Um macho F1 estéril pode tornar-se fértil ao fim de alguns anos e o inverso é possível; pode-se pensar que o X ativo não é sempre o mesmo.
CONSEQÜÊNCIAS O estudo de híbridos apresenta um grande interesse científico. Ele permite saber se duas espécies são aparentadas ou não. Ele permite também saber como são colocados no lugar alguns caracteres como o topete ou a cor vermelha.
Os híbridos férteis permitem obter raças novas. Isto é muito fácil no caso de caracteres ligados ao sexo; assim a mutação lutino (ausência de melaninas) do diamante de Kittlitz (Erythrura trlchroa) pode ser transmitido ao diamante da Nouméia (Eruthtuta pslttacea). Assim pode-se passar as mutações isabelino e acetinado do canário para o serino. No caso de mutalções não ligadas ao sexo são necessárias duas gerações, a segunda proveniente de um <<back-cross>> (R1). Umas mudanças de genes foram realizadas de psitacídeos dos gêneros Euphema,  Psittacula ou entre agapornis.
A hibridação favorece as mutações <<sacudindo a hereditariedade>>. Quando os cromossomos são diferentes, eles têm tendências a se fragmentar. Conseqüentemente os híbridos podem ter, mais ou memos, fragmentos de cromossomos. Isto pode ser a origem de novos caracteres. O canário de fator vermelho provem da hibridação do pintassilgo da Venezuela x canário, e provavelmente o canário mosaico tenha mascido de uma hibridação entre um silvestre (pintassilgo português? Verdilhão Carduelis chloris?) x canário branco dominante, ou ainda pintassilgo da Venezuela x canário branco dominante.
Mesmo estéreis, os híbridos são muito interessantes pela sua beleza. Algumas hibridações são muito raras porque são difíceis de se obter são o caso da hibridação agapornis x periquito ondulado. Três casos foram mencionados, um em 1890, com Agapornis cana, o segundo em 1910, com Agapornis personata nigrigenis e o terceiro em 1985, com Agapornis roseicollis. A hibridação é uma arte difícil. Não é fácil provocar a atração sexual entre duas aves que não se acasalam na natureza. É indispensável que a hibridação seja encorajada e recompensada nos concursos.
  Agradecimentos ao site criadouro Kakapo.
 

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